A Revolução do Mercado de Medicamentos para Emagrecimento no Brasil
O mercado de medicamentos para emagrecimento no Brasil está prestes a experimentar uma mudança significativa. Com a patente da semaglutida, ativo presente em medicamentos renomados como Ozempic e Wegovy, prestes a expirar em março, tanto a indústria farmacêutica nacional quanto internacional se mobiliza para registrar versões genéricas e similares. Segundo dados recentes, essa mudança pode resultar na redução dos preços, que atualmente variam entre R$ 900 e R$ 3.000, em níveis de 30 a 50%.
Um relatório da UBS BB Corretora sugere que essa nova fase pode levar o faturamento da categoria dos agonistas de GLP-1 a saltar para R$ 20 bilhões ainda este ano, quase dobrando os R$ 11 bilhões registrados em 2025. Esse crescimento é impulsionado por uma demanda ainda reprimida, já que apenas 1,1% dos adultos com sobrepeso e 2,5% dos obesos no Brasil têm acesso a essas terapias.
A corrida pelos registros e a expansão do acesso
Com o fim da patente, a democratização do acesso a esses medicamentos pode ser uma realidade, reduzindo custos e ampliando o uso. O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) confirma que a concorrência é o principal meio de controle de preços. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que já existe um volume significativo de pedidos de registro para a semaglutida e liraglutida, com 11 e 7 solicitações, respectivamente.
- Medicamentos Sintéticos: Muitas solicitações já passam pela análise da Anvisa, refletindo o interesse crescente na produção e distribuição dessas versões genéricas.
- Medicamentos Biológicos: A Anvisa também está analisando solicitações que incluem combinações de semaglutida com insulina icodeca e versões isoladas de liraglutida e semaglutida.
- Principais Protagonistas: Empresas como EMS, Eurofarma e Hypera já anunciaram investimentos significativos para a produção local dessas versões acessíveis.
Desafios no SUS e no setor de saúde privada
Apesar do otimismo no setor, especialistas como o endocrinologista Bruno Geloneze, da Unicamp, ressaltam que uma simples redução de preços pode não ser suficiente para garantir acesso geral. Atualmente, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) já rejeitou a proposta de incorporação da semaglutida, devido a preocupações com o impacto orçamentário.
O cenário de acesso à semaglutida e a outros medicamentos para emagrecimento é complicado:
- SUS: Atualmente, o sistema não oferece a semaglutida, e uma tentativa anterior de incorporação falhou por causa do custo elevado, estimado em R$ 7 bilhões em cinco anos. No entanto, um projeto de parceria entre EMS e Fiocruz está sendo desenvolvido na intenção de transferir a tecnologia de produção para a rede pública.
- Planos de Saúde: Recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) dificultaram a obrigatoriedade de cobertura para medicamentos que não estejam no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
- Judicialização: Nos últimos anos, houve um aumento no número de ações judiciais para obter acesso às canetas emagrecedoras, com uma significativa parte dessas ações sendo movidas contra o Estado.
Mesmo com o potencial barateamento, especialistas destacam a importância de que o uso desses medicamentos seja acompanhado por profissionais de saúde, incluindo médicos e nutricionistas. A mudança do estilo de vida e a ênfase em melhorias nos resultados clínicos são fundamentais para o sucesso a longo prazo das terapias. No Brasil, atualmente, 68% da população já está acima do peso, tornando ainda mais urgente a necessidade de soluções eficazes.



Seja o primeiro a comentar!